O agronegócio no Ceará. Por Eliardo Vieira e Joyce de Castro – Focus.jor – Jornal Notícias do Ceará

Eliardo Vieira, vice-presidente do Ibef Ceará é sócio da Arêa Leão Consultoria Empresarial. Foto: Divulgação

Alimentar a população mundial de forma sustentável é um desafio, especialmente para países como o Brasil, com vocação natural para o agronegócio. Atualmente, somos quase 8 bilhões de habitantes no planeta e, em 2050, a expectativa é de atingirmos ao redor de 10 bilhões.

A combinação de crescimento populacional, urbanização e aumento do poder aquisitivo provocará o crescimento exponencial na demanda por alimentos. Mas não basta suprir a demanda, é indispensável unir aumento de produtividade com conservação ambiental para garantir a segurança alimentar.

Com recursos naturais limitados, o aumento da demanda deverá ser suportado pelo aumento de produtividade, por novas tecnologias de cultivo sustentável e por inovações.

E o Brasil é um agente importante na nobre missão de alimentar o mundo. De acordo com estimativas da FAO (Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura), precisaremos aumentar a produção em 40% para suprir a demanda mundial em 2050.

Agronegócio no Brasil

O agronegócio tem sido reconhecido como um vetor crucial do crescimento econômico brasileiro, aliando aumento de produtividade e crescimento das exportações. Segundo dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (CEPEA/USP) em parceria com a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), em 2019, os bens e serviços gerados no agronegócio chegaram a R$ 1,55 trilhão ou 21,4% do PIB.

Sob efeito da pandemia, a economia encolheu 4.1% em 2020 segundo o IBGE, maior queda desde o início da série histórica iniciada em 1996.  Por outro lado, o agronegócio conseguiu crescer 2% mesmo com todas as adversidades.

Joyce de Castro, diretora de Finanças da Sumitomo Chemical. Foto: Divulgação

O saldo da balança comercial brasileira de 2020 foi de USD US$ 50,9 bilhões (US$ 209,9 bilhões em exportações e US$ 158,9 bilhões em importações) e o agronegócio e, de acordo com o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), representou 48% das exportações totais, atingindo US$ 100,8 bilhões.

O Nordeste brasileiro e suas várias regiões
Segundo dados do Ministério de Agricultura, Agropecuária e Abastecimento (MAPA), o Nordeste fechou 2020 com 7,8% das exportações totais do país, equivalentes a US$ 7.8 bilhões, com superávit de US$ 5.7 bilhões.

Muitas iniciativas para o desenvolvimento da região Nordeste foram testadas, pensadas, porém, permanecem tímidas frente ao potencial.

O Governo Federal lançou, por intermédio do Ministério da Agricultura, o programa AgroNordeste – plano de ação para impulsionar o desenvolvimento econômico, social e sustentável do meio rural da região. Entretanto, programa pretendia ser implantado em 230 municípios dos nove estados do Nordeste e parte de Minas Gerais, com uma população rural de 1,7 milhão de pessoas, porém, os resultados permanecem tímidos e imperceptíveis.

Outras ideias surgem em discussões sobre o desenvolvimento agrícola da região. Recentemente a MAPA lançou a ideia de envolver grandes cooperativas do Centro-Oeste para levar a produtores do Nordeste iniciativas bem-sucedidas.

A chamada nova fronteira agrícola do Brasil, conhecida pelo acrônimo de MAPITOBA e constituída por parte dos Estados do Maranhão, Piauí e Bahia, e por todo o território do Tocantins, além do sudeste do Pará, vem sendo foco da expansão agrícola. Os cultivos agrícolas que se destacam nestas regiões são a soja, o milho, a cana-de-açúcar, o arroz e o algodão, culturas que historicamente avançam território e trazem consigo inovações tecnológicas.

No Ceará, a agricultura irrigada de alta tecnologia detém os números mais expressivos da agricultura da região, com destaque para a produção de frutas, hortaliças e flores. O estado é o 1° produtor e exportador de água de coco, castanha de caju e cera de carnaúba do Brasil, além de ser o 2° produtor e exportador de melão e melancia e o 4° produtor de frutas do Brasil.

A vocação para a fruticultura, impulsionada pela recente união entre a Agrícola Famosa e a Citri&Co, maior produtora e distribuidora europeia de frutas cítricas e de caroço, aliada à localização estratégica do estado e à infraestrutura do Complexo Industrial e Portuário do Pecém (CIPP), cria um cenário favorável para a expansão da produção e escoamento de frutas frestas e coloca o Ceará em evidência no cenário do agronegócio nacional.

Por fim, fica a impressão de que os estados da região, com muito potencial ainda a ser explorado, permanecem com apoio público tímido e contam com desenvolvimento centralizado nas empresas privadas.



Por , em 2021-03-08 19:31:00


Fonte www.focus.jor.br

Redação

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