Mulheres são maioria na Universidade de Fortaleza | Ensinando e Aprendendo – Jornal Notícias do Ceará

Ao longo dos anos, a Universidade de Fortaleza, da Fundação Edson Queiroz, firmou-se como espaço de reconhecimento feminino, destacando sempre o trabalho e as vozes de mulheres de campos ligados à ciência, às artes e à transformação social. Na Unifor, 55,74% do corpo de alunos em cursos de graduação é formado por mulheres. No corpo de professores, esse índice é ainda maior: 57,77% das pessoas à frente da sala de aula são pesquisadoras do sexo feminino.

“Estar em uma instituição de ensino superior requer certas atenções e diligências necessárias não apenas para se trilhar o caminho acadêmico, mas também para se obter bons resultados no ordenamento e na gestão de uma Universidade. Tal comprometimento é possível a qualquer pessoa focada em seus objetivos e dedicada a uma causa-mor, mas é na experiência do existir feminino que esse empenho ganha outras cores e assume um tom mais político em suas vivências”, afirma a Reitora Fátima Veras, à frente da instituição desde 2009.

“Hoje, as mulheres têm se apropriado dos meios e escrito suas próprias narrativas”, é o que afirma a cineasta Lays Antunes. — Foto: Ares Soares

Para a cineasta e pesquisadora Lays Antunes, egressa do curso de Cinema e Audiovisual da Unifor, “a importância da mulher na academia, assim como em outras áreas, é a de revolucionar, assumir nosso lugar por direito, construir uma sociedade melhor, mais justa, mais bela, questionar o status quo, e contribuir com nossas competências para criar o futuro que queremos viver”.

De acordo com ela, as mulheres foram pioneiras em campos diversos da sociedade, mas tiveram suas histórias apagadas por uma narrativa que, historicamente, contempla homens em sua maioria. Lays afirma que “hoje, as mulheres têm se apropriado dos meios e escrito suas próprias narrativas. [Sejam elas em] livros, filmes, empresas, cargos políticos etc”.

“Estamos em todos os lugares, e nossos números crescem cada vez mais. Isso se deve ao fato de sermos competentes, capazes, fortes e estarmos tomando o poder em nossa sociedade. Podemos ser o que quisermos: poderosas, fortes, assertivas, líderes, criativas, ricas, transformadoras, pioneiras. A mulher pensa, age, cria e transforma, fazendo uma verdadeira revolução no sistema hierárquico de nossa sociedade”, acrescenta Lays.

Aluna da graduação em Cinema quando o curso ainda estava em seu segundo semestre de existência, ela atua principalmente como roteirista e desenvolvedora de projetos dentro do mercado audiovisual, área em que o reconhecimento da presença feminina em cargos de destaque é pauta constante. Lays menciona que realizadoras como Sofia Coppola, Petra Costa, Anna Muylaert e Laís Bodanzky estão “chutando as portas e entrando no set de cabeça” para afirmar o impacto das mulheres no setor.

“Nas últimas décadas, não só as mulheres tiveram mais apoios e incentivos para reduzir as desigualdades de oportunidades no setor, como também tiveram a história desde os primeiros anos do cinema recontada para trazer os holofotes para as mulheres pioneiras que estavam no esquecimento. Ultimamente, várias mulheres incríveis estão à frente de filmes de muito sucesso, no Brasil e no mundo. O fato é que seguimos lutando pelo nosso espaço, por igualdade de direitos e por integridade física e segurança em nosso estar no mundo”, pontua Antunes.

Inspiração para ir além

Novata no curso de Direito, Emília Oliveira comemora o fato de cursar disciplinas ministradas por mulheres. — Foto: acervo pessoal

“Desde criança eu pensava em fazer Direito, pois tinha pavor de injustiças. Com o tempo, a quantidade de ramos que se pode seguir [na área] e as várias maneiras [que temos] de ajudar as pessoas cresceram”, conta Emília Oliveira, que está cursando o 1º semestre em Direito na Unifor. A futura advogada, que se interessa por pautas de igualdade social, revela sentir-se inspirada pela quantidade de mulheres que encontrou na sala de aula. Segunda ela, das cinco disciplinas que cursa neste semestre, três são ministradas por mulheres, e todas possuem currículos excelentes nas mais diversas áreas.

Emília acrescenta: “É muito inspirador para quem está começando agora saber que podemos ocupar todos os lugares [na profissão], inclusive os pioneiros, como o Direito Ambiental, em que uma das minhas professoras é doutora e referência. As contribuições acadêmicas femininas, além de inspiradoras, são muito ricas principalmente em experiências, [mesmo que] em um ambiente tão competitivo e que até pouco tempo era exclusivamente masculino”.

Para Hillary Lima, poder conversar com mulheres que participam do mercado de trabalho nas aulas ajuda na confiança profissional. — Foto: acervo pessoal

Para Hillary Lima, piauiense que está no quarto semestre de Publicidade e Propaganda na Unifor, ver essa presença das mulheres no mercado de trabalho foi algo importante para obter confiança profissional. “Eu tive várias experiências de ter que me descobrir, ter que me impor. Isso é muito difícil porque, quer queira quer não, a gente vive em uma sociedade que quer que a gente fique calada. Na Publicidade e Propaganda, as pessoas que coordenam o curso foram muito importantes porque trouxeram mulheres que pudessem falar sobre isso no mercado para a gente”.

A aluna conta recordar que, em uma dessas conversas com profissionais experientes, foi mencionado o fato de que as mulheres precisam demonstrar quase o dobro de esforços e domínio do que homens para arriscar uma promoção no trabalho ou uma contratação para cargo mais elevado. “Isso me impactou muito porque eu passava por aquele medo de não ser suficiente. […] Então, ver mulheres no mercado em cargos superiores, mostrando que a gente tem que realmente se arriscar, que a gente tem que tentar, tem que ‘quebrar a cara’, foi muito importante. […] Elas sabem do valor delas e que são profissionais incríveis. Vermos isso enquanto estamos nos construindo como profissionais é muito necessário”.

Acolhimento e empoderamento

Drielly Honório encontrou nas atividades do curso de Enfermagem uma maneira de se empoderar. — Foto: acervo pessoal

Quando Drielly Honório optou por estudar Enfermagem, deparou-se com uma série de comentários sobre ser uma escolha ligada ao seu sexo. “Eu não me deixei ficar na mesmice e me abater pelo estereótipo de que é um ‘curso para mulheres’. Quis me destacar e não de uma forma a gerar competição entre mulheres; pelo contrário, mas como forma de mostrar a capacidade que toda mulher tem de empoderamento, de capacidade profissional”, afirma a estudante.

Hoje, no 5º semestre do curso, ela conta ter procurado engajamento em atividades que proporcionassem crescimento e aprendizado, como o programa de monitoria institucional e as ligas acadêmicas. “Sempre procuro aprender, me fazer melhorar, me espelhar nas professoras excepcionais que perpassam no meu caminho, e não cair na ideia de ‘mais uma mulher enfermeira’. É uma forma de mostrar que todas nós somos capazes”.

Larissa Pontes, por sua vez, está no 8º semestre de Medicina e fala com entusiasmo sobre as mulheres que compõem o seu curso: “Percebo sempre ao meu redor colegas totalmente inspiradoras, cheias de opiniões e com mentes criativas e apaixonantes! Sinto-me acolhida e inspirada quando vejo professoras que são médicas, chefes, artistas, mães, decididas, empáticas e sempre muito certas do lugar em que ocupam. É lindo ver mulheres com tanta força na Universidade, incentivando a gente, mostrando os caminhos que existem e o quanto as possibilidades são realmente infinitas. Vejo minhas colegas e sei que o futuro está em boas mãos. Mãos acolhedoras, firmes, inspiradoras!”.

Por , em 2021-03-10 09:36:13


Fonte g1.globo.com

Redação

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