Roseno acusa Bolsonaro de genocídio e Delegado Cavalcante reage: “Coisa de idiota” | Política – Últimas Notícias em Fortaleza e Ceará – Jornal Notícias do Ceará

Deputados Delegado Cavalcante e Renato Roseno (Foto: Foto: Mauri Melo/Thais Mesquita)

A votação de urgência do projeto de lei que autoriza a compra da vacina russa Sputnik V pelo Estado resultou em bate-boca durante sessão remota da Assembleia Legislativa do Ceará (ALCE) nesta terça-feira, 16. Durante defesa da matéria, o deputado Renato Roseno (Psol) justificou que a votação do texto acontece em função de “absoluta incompetência e irresponsabilidade, desprezo e negacionismo de Governo Federal”. 

“Nós estamos votando uma matéria inédita. Nunca na história da imunização do país, do programa de saúde pública de vacinas, os estados foram obrigados eles próprios a adquirirem vacina” disse Roseno. O parlamentar lembrou episodio no qual o governo brasileiro rejeitou no ano passado proposta da farmacêutica Pfizer que previa 70 milhões de doses de vacinas até dezembro deste ano.

“Bolsonaro negou a aquisição de vacina, era contra o auxílio emergencial de R$ 600, fez uma chantagem com os servidores. Após também chamar o presidente de “vergonha internacional”, o psolista completou: “sobretudo para a gente voltar a ter coordenação nacional da saúde, voltar a ter presidente, coisa que não temos hoje. Hoje temos um genocida na frente da presidência da República”. 

Roseno aproveitou para criticar as manifestação contra o lockdown e grupo de parlamentares que apoiaram os atos em Fortaleza. “É o que resta a essa turma. Eles sabotam o lockdown, inclusive fazem manifestações que são fortes crimes contra a saúde pública, e se agarram na fantasia do tratamento precoce”, disse. O parlamentar defendeu ainda investigação do Ministério Público sobre os casos.

A fala não foi bem recebida pelo deputado Delegado Cavalcante (PSL). Em defesa do presidente, o bolsonarista foi favorável a urgência da matéria em votação e acusou o adversário de praticar “política baixa”. “Nós não somos contra. Apesar de eu ser adversário do Camilo (Santana, governador), mas não tenho esse ódio. Isso é coisa de idiota, me perdoa aqui a expressão. Você esta votando uma coisa que é iniciativa de Bolsonaro, aí fica fazendo uma oposição irresponsável, não admito”, disse. 

“Ainda bem que você está na sua imunidade parlamentar. Genocida é o partido de vocês”, completou Cavalcante. O deputado acusou Roseno de “querer Lula e a Dilma (Rousseff) de volta” e de defender a “ideologia de gênero”. “Você devia apurar as cosias erradas que aconteceram no Ceará que aconteceram na covid”, completou. Ainda segundo ele, o presidente “é sério” e “está no tempo de morrer” para defender o Brasil.

Após a fala, alguns deputados saíram em defesa de Roseno, dentre eles Osmar Baquit (PDT) e Júlio César Filho (Cidadania). O deputado do Psol rebateu que Cavalcante “não tinha argumentos racionais”. “O Brasil inteiro, e a história vai registrar isso, sabe que Bolsonaro vai ser processado pelo crime de genocídio. Então, essa agressão vinda obviamente de quem não tem competência, nem argumento, não tem história, não presta nenhum serviço a história cearenses, obviamente não me atinge”, disse.

No início do mês, Bolsonaro chegou a vetar possibilidade de estados e municípios imunizarem população em caso de omissão do Ministério da Saúde. No dia 10 de março, após pressão durante reunião com senadores, o presidente assinou o Projeto de Lei (PL) 534/2021, que autorizou estados, municípios e o setor privado a comprarem vacinas contra a covid-19 com registro ou autorização temporária de uso no Brasil. O texto é de autoria do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG). 

Nas últimas semanas, tem crescido as discussões sobre levar o presidente Jair Bolsonaro a julgamento em tribunais internacionais por sua condução no combate à pandemia de covid-19 no país. Em dezembro de 2020, um caso contra Bolsonaro passou a ser oficialmente estudado pelo Escritório da procuradoria do Tribunal Penal Internacional (TPI), no Tribunal de Haia, na Holanda. 

É a primeira vez que o TPI se dispõe a realizar uma análise preliminar da jurisdição em relação a um presidente brasileiro. Até o momento, não há confirmação do avanço das apurações. Em julho de 2020, Bolsonaro contabilizava cinco representações criminais, que julga graves violações de direitos humanos, como genocídio, crimes contra a humanidade e crimes de guerra.

 

 

Por , em 2021-03-16 13:59:00


Fonte www.opovo.com.br

Redação

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