Jogadores do Náutico fazem campanha contra prisão de massagista do clube | náutico – Jornal Notícias do Ceará

Os jogadores do Náutico entraram, na última terça-feira, numa campanha contra a prisão do massagista do clube Paulo Mariano, de 27 anos, feita pela Polícia Civil de Pernambuco no dia 24 de fevereiro, no CT Wilson Campos, no bairro da Guabiraba, Zona Norte do Recife. A acusação é de participação em assalto a ônibus no dia 25 de dezembro de 2018. A defesa, no entanto, alega que Paulinho, como é conhecido, foi preso por engano. À época, ele trabalhava no Sport.

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Nas redes, atletas como Kieza, Jean Carlos e Jefferson, além de ex-jogadores do clube, como Jorge Henrique, postaram fotos e mensagens de apoio ao massagista, que está no Centro de Observação e Triagem Professor Everardo Luna (Cotel), em Abreu e Lima, no Grande Recife, desde o dia 24 de fevereiro. Usam dois hashtags #LiberdadearaPaulo e #Pauloetrabalhador. O técnico Hélio dos Anjos também demonstrou solidariedade a Paulo.

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O Náutico não se posicionou institucionalmente, mas tem dado suporte jurídico ao profissional e à família dele.

Paulo Mariano é massagista do Náutico — Foto: Caio Falcão/CNC

O advogado Fernando Coelho, responsável pela defesa de Paulo Mariano, ao lado da advogada Virgínia Kelle, afirma que o massagista não tem relação com o assalto a ônibus acontecido no bairro da Joana Bezerra, na área central do Recife. Ele mora em Maranguape, Paulista, Grande Recife.

A defesa sustenta que Paulo foi confundido com outra pessoa. Segundo os advogados, quatro pessoas participaram do assalto: três maiores de idade e um menor. O menor teria dito, em depoimento, que um dos homens se chamava Mariano.

— Houve um equívoco grande no processo. Infelizmente, na parte que foi feito o inquérito policial, o Paulo (Mariano) foi confundido com outro rapaz de nome Mariano. Até hoje, quase um mês, ele está esperando que a Justiça solte, porque não tem qualquer participação nesse assalto de que está sendo acusado. Não Paulo Mariano Neto, mas um rapaz conhecido como Mariano, afirma o advogado Fernando Coelho.

Como a Polícia Civil chegou a Paulo Mariano? Ainda de acordo com os advogados do massagista, a busca foi feita por redes sociais.

— Quando o menor participante do crime foi identificado, ele citou o acusado que até então não tinha sido conhecido como sendo Mariano, casado com uma mulher chamada Taci, que teria sido casada com uma pessoa de nome Aldair, da comunidade de Joana Bezerra. Segundo o relatório policial, não se conseguiu localizar Taci para se localizar o tal Mariano. Aí, o que diz o relatório policial é que através de redes sociais, se viu que Paulo Mariano, que está preso hoje, teria amizade em rede social com pessoas da comunidade de Joana Bezerra. Logo, o relatório concluiu que o Mariano que o menino citava seria Paulo Mariano, disse Virgínia Kelle.

Segundo Coelho, no dia do assalto, Paulo estava com a família. Era natal, 25 de dezembro de 2018. Nessa data, ele postou fotos com a esposa e parentes numa rede social, versão também defendida pelos familiares.

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Paulo Mariano em treino do Náutico — Foto: Caio Falcão/CNC

Mas a defesa garante que o homem que aparece nas imagens do assalto que constam no processo não têm nenhuma semelhança física com Paulo, embora este tenha sido reconhecido por vítimas, como o cobrador do ônibus, como sendo o assaltante.

— Tem no processo um reconhecimento fotográfico do cobrador, que ele fez através da foto da carteira de identidade de Paulo, embora no auto de reconhecimento, que ele fez primeiro, diz as características da pessoa. As que mais se destacam são de um negro retinto e não ter tatuagem aparente. Paulo é negro de pele clara e já tinha, naquela época, tatuagens aparentes nos antebraços com as palavras “pai” e “mãe”.

Kieza publicou foto em apoio a Paulo Mariano — Foto: Reprodução/Instagram

Ainda segundo ela, Paulo só tomou conhecimento do processo quando foi preso. Até então, garante Vírgina Kelle, o massagista não havia sido intimado ou comunicado sobre o caso e nem entendeu por que foi detido. Foi pego de surpresa, embora seu endereço conste nos autos do processo.

— O processo seguiu sem que Paulo Mariano fosse citado, intimado, tomasse conhecimento ou pudesse se explicar. O processo data de 2019, de um fato ocorrido em 2018, que Paulo só tomou conhecimento quando saiu o mandado de prisão. Ele estava no local de trabalho, recebeu uma ligação do pessoal do Sport Club do Recife, de onde ele também foi funcionário, dizendo que policiais estavam em busca dele. Ele prontamente se colocou disposto a receber, não saiu do local de trabalho, ficou aguardando, porque não sabia do que se tratava. Quando os policiais chegaram, foi que informaram que seria um mandado de prisão. Mas até ele ter contato com a gente, Paulo sequer sabia do que se tratava o mandado de prisão.

Mais de dois anos depois, em 24 de fevereiro de 2021, Paulo foi, então, levado ao Cotel, onde está até hoje. No dia seguinte à detenção, a defesa entrou com um pedido de revogação de prisão e liberdade provisória, que foi negado pela Justiça.

No dia 28/02, os advogados de Paulo entraram com um habeas corpus no Tribunal de Justiça de Pernambuco, que ainda não foi julgado. Eles acreditam que há fundamentação jurídica para que a liberdade seja concedida.

— Ele preenche os requisitos para obter a liberdade provisória. Ele tem residência fixa, emprego lícito e primariedade (condição de quem é reu primário, ou seja, tem bons antecedentes). Estamos na expectativa e esperamos que o habeas corpus seja julgado ainda nesta semana, afirmou a advogada Virgínia.

É importante ressaltar que o pedido de habeas corpus é para que Paulo Mariano possa responder em liberdade.

A esposa de Paulo, Amanda Araújo, garante que o marido é inocente e que, no dia do assalto, estava com a família. O casal tem dois filhos pequenos, um menino e uma menina.

— Ele está muito abalado, se sentindo muito mal, num ambiente que não é o dele. E se sentindo injustiçado. A família foi muito afetada com isso, afirmou Amanda.

No último dia 6 de março, o governo de Pernambuco suspendeu as visitas presenciais em todo o sistema prisional do estado, como forma de evitar aglomerações e conter o avanço da Covid-19. Desde então, Paulo está sem ver a família e só tem contato com seus advogados às segundas, quartas e sextas.

A reportagem entrou em contato com a Polícia Civil de Pernambuco (PCPE) para apurar detalhes sobre o caso. A Corporação confirmou que havia efetuado uma prisão de um homem de 27 anos no bairro da Guabiraba, no dia 24 de fevereiro.

A Polícia também disse que a investigação foi conduzida de forma imparcial, observando critérios técnicos e elementos probatórios até a conclusão do procedimento que culminou na identificação da autoria do crime por meio de depoimentos, reconhecimento por parte de envolvidos e vítimas.

Após a conclusão, o inquérito policial foi remetido ao Ministério Público, que se posicionou e encaminhou ao poder judiciário

Confira a nota da PCPE na íntegra:

A Polícia Civil de Pernambuco, por meio da Delegacia de Polícia Interestadual e Capturas – Polinter, deu cumprimento a mandado de prisão referente ao crime de roubo no último dia 24 de fevereiro em desfavor de um homem, de 27 anos, no Brejo da Guabiraba, no Recife. O homem foi encaminhado ao COTEL.

A PCPE esclarece que a prisão ocorreu como resultado de inquérito policial realizado pela 1ª Delegacia Seccional de Polícia – Santo Amaro, responsável pela investigação de roubos a coletivos na área do Terminal Integrado de Joana Bezerra e adjacências, local beneficiado com significativa redução de assaltos nessa modalidade. A investigação foi conduzida de forma imparcial e observando critérios técnicos, utilizando diversos elementos probatórios até a conclusão do procedimento que culminou com identificação da autoria do crime por meio de depoimentos, reconhecimento por parte de envolvidos e vítimas.

Após a conclusão, o Inquérito Policial foi remetido ao Ministério Público que se posicionou e encaminhou ao Poder Judiciário, incumbido de apreciar a legalidade do feito e reunião dos indícios necessários para formação do convencimento cabível, de acordo com ordenamento jurídic

Ministério Público de Pernambuco (MPPE)

A reportagem ouviu o Ministério Público de Pernambuco, que, através da assessoria de comunicação, afirmou que prefere não se manifestar.

Confira nota na íntegra:

A 1ª Promotoria Criminal de Justiça da Capital reitera que não vai se manifestar quanto ao processo em andamento 0009343-08.2019.8.17.0001, disponível no site do TJPE. Inclusive, há um habeas corpus em apreciação no TJPE 0003072-78.2021.8.17.9000.

Toda manifestação da referida Promotoria será feita nos autos do processo em questão. O acompanhamento pode e deve ser feito através de consulta ao site do TJPE.

A 1ª Promotoria Criminal da Capital ressalta ainda que o caso foi apreciado na Central de Inquéritos da Capital, foi formalizada a denúncia, recepcionada em juízo e qualquer apreciação quanto à liberdade compete ao judiciário.

O Grupo de Trabalho Racismo (GT Racismo) do MPPE também foi procurado, já que foi criado com objetivo de evitar casos do tipo, mas preferiu se abster de comentários.

O GT Racismo do Ministério Público de Pernambuco não vai se manifestar quanto ao referido processo, por entender que o pronunciamento oficial já foi feito pelo órgão de execução responsável, que é 1ª Promotoria Criminal de Justiça da Capital.

Atenciosamente, GT Racismo do MPPE.

Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE)

A reportagem entrou em contato ainda com a assessoria do Tribunal de Justiça de Pernambucano (TJPE), que enviou, em nota, detalhes sobre o processo.

Confira a nota na íntegra:

A Assessoria de Comunicação do Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE) informa que foram denunciados perante à 1ª Vara Criminal da Capital, Paulo Mariano de Arruda Neto, Gabriel da Silva Oliveira e Romário Chaves de Lima incursos nas sanções do art. 157, § 2º, inciso II, § 2º-A, inciso I, do Código Penal e art. 244-B, do Estatuto da Criança e do Adolescente.

Segundo a denúncia, no dia 25 de dezembro de 2018, por volta das 22h, no bairro da Ilha Joana Bezerra, Recife – PE, no interior do ônibus da empresa Rodoviária Caxangá, linha Xambá/Joana Bezerra, os denunciados subtraíram para si ou para outrem, mediante grave ameaça exercida com o emprego de arma de fogo, em concurso com o adolescente A.T.O.J, coisas alheias móveis pertencentes aos passageiros, funcionários da empresa e renda da empresa de ônibus. Ainda de acordo com a denúncia, “no dia e horário mencionados, os acusados, juntamente com o adolescente referido, determinaram que o motorista do citado coletivo abrisse as portas do ônibus, sob pena de serem desferidos disparos de arma de fogo. Ao adentrar pelas portas dos ônibus, os acusados subtraíram celulares e dinheiro do motorista e cobrador, além da renda do coletivo e os bens dos passageiros. Em seguida, os acusados tomaram rumo ignorado. Na delegacia de polícia, os aludidos denunciados foram reconhecidos pelas vítimas, ao passo que o adolescente admitiu a prática do ato infracional juntamente com os acusados Gabriel e Paulo Mariano.

O Juízo da 1ª Vara Criminal da Capital, informa que a defesa do denunciado Paulo Mariano de Arruda Neto requereu o relaxamento da prisão e a revogação da prisão preventiva. No dia 11 de março de 2021, a juíza Socorro Britto Alves, no exercício cumulativo da 1º Vara Criminal da Capital, indeferiu (negou) os pedidos formulados pelos advogados, com respaldo no parecer do representante do Ministério Público (Promotor de Justiça), e manteve a prisão preventiva do aludido denunciado Paulo Mariano de Arruda Neto. No 1º grau, o processo encontra-se aguardando as citações de todos os denunciados e apresentação de respostas à acusação.

A defesa de Paulo Mariano de Arruda Neto interpôs um Habeas Corpus (HC), no plantão judiciário do dia 28 de fevereiro de 2021 e o desembargador plantonista Demócrito Reynaldo de Oliveira negou a liminar. Na sequência, a análise do HC foi distribuída para o desembargador Evandro Magalhães Melo, que emitiu um despacho solicitando mais informações ao Juízo da 1ª Vara Criminal da Capital. Depois o HC deverá seguir para o Ministério Público emitir parecer. Por fim, o HC será julgado na 1ª Câmara Criminal do TJPE, sob a relatoria do desembargador Evandro Magalhães Melo.

Por , em 2021-03-17 18:16:17


Fonte globoesporte.globo.com

Redação

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