Contra a crise, economista rejeita a cultura da misericórdia – Egídio Serpa – Jornal Notícias do Ceará

Esta coluna conversou ontem com o economista Alcântara Macedo, consultor de empresas nacionais e de companhias estrangeiras com negócios no Brasil. Ele fez um resumo da crise que castiga a economia nacional. Macedo disse, para começar, o seguinte: 

“Ainda caminhamos para o extermínio de parte do setor produtivo. Estamos diante de uma variável exógena e não conhecemos a sua capacidade de nocividade plena. O momento é mais desafiador do que imaginávamos. O PIB brasileiro caiu, no ano passado, 4,1%, menos do que a previsão de 10%.  O crédito foi da política econômica, da manutenção da taxa de juros baixa, do Auxílio Emergencial e, sobretudo, da redução da velocidade da expansão monetária”. 

Alcântara Macedo prosseguiu: 

“Porém, manter estes três vetores comportados, sem consequências econômicas e financeiras negativas, exigirá uma política de controle do déficit público com mão de ferro, firme, sem concessões políticas e politiqueiras, levando em consideração que, possivelmente, teremos uma disputa ideológica e de poder. No controle do déficit público estará a chave da travessia. Portanto, a luta exigirá um ingrediente escasso: patriotismo”. 

Ele continuou: “O crescimento é importante, mas estaremos numa quadra de exceção. Será necessário manter os fundamentos vitais da economia, que posteriormente possibilitarão a implementação de um plano de crescimento, conjugado com uma visão de desenvolvimento econômico e social de vanguarda. O Tesouro Nacional está exaurido, sua capacidade de gerar caixa pela arrecadação de impostos diminuiu acentuadamente por força da redução da produção e do aumento das despesas públicas emergenciais”.

E acentuou: 

“Manter as taxas de juros atuais poderá tornar-se inviável com o impacto da demanda por crédito e sua imprevisibilidade de retorno. O crédito emergencial não poderá ser contínuo (instalará uma cultura da misericórdia). Sua continuidade poderá ser uma dose exagerada de remédio, criando no enfermo uma doença crônica, a miséria. Por fim, a expansão monetária será inevitável, instalando o retrocesso: um crescimento medíocre (voo de galinha), uma inflação perturbadora, paga pelos trabalhadores e empresários, e atingindo de frente a distribuição de renda, que é um dos problemas mais relevantes da economia brasileira”.

Alcântara Macedo concluiu com uma pergunta que ele mesmo respondeu: 

“A pergunta é:  o que farão as empresas vivas e restantes? Com a redução da renda, com a escassez de demanda, é fundamental adequar os custos à nova realidade, implementar uma política de fidelização dos clientes para retomar a competitividade, buscar a lucratividade anterior e retomar sua fatia de mercado”.

EXCESSOS

Do padre Marcelo Rossi, falando durante a celebração da missa no último domingo, transmitida pela Rede Globo, a respeito das consequências da pandemia da Covid-19:

 

“Estamos vivendo tempos difíceis. Temos a depressão, que é o excesso de passado; temos o estresse, que é o excesso de presente; e temos a ansiedade, que é o excesso de futuro”.

 

É difícil suportar, sem sofrimento, tantas emoções.

SENAI-CEARÁ

Abriram-se as inscrições para o curso de Moleiro, que, promovido pelo Senai-Ceará, será, em parte, ministrado no modo Educação a Distância. O curso é pioneiro na América do Sul e único no Senai de todo o país. 

O Senai-Ceará já ministrou 36 turmas desse curso, formando 662 profissionais moleiros de vários estados brasileiros. 

As aulas começarão no dia 5 de abril e se prolongarão até 26 de outubro.

CAIXA CONTRATA

Novidade: a Caixa Econômica está contratando 566 novos empregados para suas agências localizadas no Norte e no Nordeste – informou o seu presidente, Pedro Guimarães.

 

Ele revelou, ainda, que há 7.704 postos de trabalho em contratação – 2.766 empregados, 1.162 estagiários, 2.320 vigilantes e 1.456 recepcionistas. 

FAEC

Reunido na sede da entidade, o Conselho de Representantes da Federação da Agricultura do Ceará deu posse ao novo presidente da Faec, agrônomo Rodrigo Diógenes Pinheiro.

 

Ele substitui o saudoso Flávio Viriato de Sabóya, que, vitimado pela Covid-19, faleceu no último dia 21 de fevereiro.

 

Na mesma oportunidade, os conselheiros elegeram o primeiro vice-presidente da Faec, que é Moacir Gomes de Souza, do Sindicato Rural de Independência, também já empossado.

CASTANHÃO

Informa uma fonte da Cagece: o Ministério do Desenvolvimento Regional MDR) está bombeando para a barragem do Jati, que integra a estrutura do Projeto São Francisco de Integração de Bacias, 10 m³ por segundo de água.

Todo esse volume é transferido para o Cinturão das Águas do Ceará (CAC) e despejado no riacho Seco que o leva até o rio Salgado, que deságua no Jaguaribe, que recarrega o açude Castanhão.

SOJA

Na Chapada do Apodi, estão sendo cultivados com soja 600 hectares. Toda a produção foi antecipadamente comprada por uma grande empresa da avicultura do Ceará.

Mais: há, na mesma Chapada, 200 hectares cultivados de semente de soja, cuja produção também foi vendida, com antecipação, para sojicultores do Piauí, Maranhão e do Sul do País.

EMILIO RIBAS

Localizada na Avenida Pedro Lazar, 877, no Lago Jacarey, foi aberta e já funciona a 17ª unidade de atendimento do Laboratório Emilio Ribas Medicina Diagnóstica. 

Opera de segunda-feira a sábado, de 7 às 13 horas. 

DÉFICIT

Revela o Ceará em Comex, um relatório mensal elaborado pelo Centro Internacional de Negócios (CIN) da Fiec: a balança comercial do Ceará (exportações x importações) registrou no recente mês de fevereiro um déficit de US$ 210 milhões. 

No acumulado deste ano, as exportações alcançaram US$ 238,6 milhões, uma queda de 30,2% se comparado com os dois primeiros meses do ano passado. 

Por sua vez, as importações também registraram desempenho negativo. Elas alcançaram US$ 211 milhões, o que corresponde a uma redução de 10,7% em relação a janeiro de 2020. 

No acumulado deste ano, as importações somam US$ 449 milhões, um crescimento de 9% no acumulado deste ano de 2021. 

A participação da pauta exportadora cearense na balança comercial do Nordeste é de 10,78% e no âmbito nacional se mantém em 0,77%. 

CURADO

Alegria na equipe de secretários do governador Camilo Santana!

O titular da Secretaria de Desenvolvimento Econômico, engenheiro Maia Júnior, retornou ontem à sua casa, depois de uma semana hospitalizado para tratamento contra a Covid-19.

Foi assistido pelo seu colega secretário de Saúde, Dr. Cebeto.

ENGANAÇÃO

Foi aprovado ontem pela Câmara dos Deputados projeto-de-lei que apena com três anos de cadeia quem fura a fila da vacinação contra a Covid-19. Beleza!

Mas que castigo deve sofrer quem faz de conta que aplica – e não aplica – a injeção com a vacina?

Aconteceu ontem, de novo, em Goiânia. Tudo foi filmado.

OXIGÊNIO

Engajado na campanha que a Fiec, o Simec e a Mallory estão fazendo para arrecadar cilindros de oxigênio que serão doados a hospitais públicos, o Grupo Aço Cearense adiantou-se.

O grupo liderado pelo empresário Vilmar Ferreira fez ontem a doação de vários desses equipamentos para os hospitais de São Gonçalo do Amarante, em cuja geografia estão o Poeto do Pecém e a usina siderúrgica da CSP.

SANEAMENTO

Manteve o Congresso Nacional os vetos do presidente Bolsonaro ao novo Marco Legal do Saneamento Básico. 

Está, pois, impedida a prorrogação, por 30 anos, dos contratos precários (não assinados ou com vigência expirada) de prestação de serviços de saneamento básico oferecidos por empresas estaduais de saneamento aos municípios, fechados sem licitação.

Para o ministro do Desenvolvimento Regional, Rogério Marinho, a decisão permitirá um avanço significativo para o setor de saneamento no Brasil e garantirá segurança jurídica para os contratos firmados.

“Essa medida é fundamental para alcançarmos a universalização de todos os serviços de saneamento básico até 2033 e também para dar maior competitividade ao setor, melhorar o ambiente regulatório e garantir a segurança jurídica dos acordos que serão firmados”, disse o ministro Marinho.

DE LUTO

Há luto na Fiec pelo falecimento do secretário executivo do Sindicato da Indústria de Mármores e Granitos do Ceará (Simagran), Geraldo Silvério dos Santos.

Em nota, o presidente da Fiec, Ricardo Cavalcante, afirma:

“Geraldo sempre foi um parceiro especial e amigo da Federação. Foi Secretário Executivo do Centro Industrial do Ceará (CIC) entre 1986 e 1996 e fazia parte do Simagran desde a sua fundação.

“Neste momento de dor, nos unimos em oração para que Deus console os nossos corações e ampare seus familiares e amigos.”

JUROS

Surpreendeu a decisão tomada ontem pelo Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central, de aumentar de 2% para 2,75% a taxa básica de juros Selic – a que é usada pelos bancos para financiar o governo.

Vai aumentar o volume de dinheiro que a União paga para rolar sua dívida.

E vai piorar a compra pelo crediário e, ainda, a contratação de novos financiamentos imobiliários.

Mas melhorará o câmbio, com possíveis quedas da cotação do dólar.

MERCADO

Fecharam em alta nesta quinta-feira as bolsas asiáticas. E as da Europa e EUA seguem a mesma toada.

É resultado da fala de ontem do presidente do Federal Reserve, Jerome Wolker, que a inflação nos EUA permanecerá perto de zero, o que significa manutenção das atuais taxas de juros que estão em 1,6%.

 






Por , em 2021-03-18 06:03:29


Fonte diariodonordeste.verdesmares.com.br

Redação

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