Entenda como um dos maiores traficantes do Ceará foi solto e hoje é um dos mais procurados do Estado – Segurança – Jornal Notícias do Ceará

Paulo Diego da Silva Araújo, o ‘Dino’ ou ‘Universitário’, 38, voltou a ser um dos criminosos mais procurados da Polícia do Ceará. Considerado chefe de uma facção criminosa paulista, condenado por tráfico internacional de drogas e investigado por colocar um carro-bomba próximo à Assembleia Legislativa do Ceará e por tentar comprar habeas corpus no Tribunal de Justiça do Ceará (TJCE), ele ficou “esquecido” por cerca de três anos, após ser solto pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Mas, segundo investigações policiais, ‘Dino’ reincindiu e participou de ataques criminosos a bens públicos e privados e do tráfico de drogas no Ceará, nos últimos anos.

O nome do criminoso entrou para o Programa de Recompensas da Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), no fim de março deste ano. Informações que ajudem a Polícia a localizar e prender Paulo Diego valem a recompensa de R$ 7 mil. As denúncias podem ser feitas pelo número 181, o Disque-Denúncia da Pasta, que garante o sigilo ao denunciante.

Existem pelo menos dois mandados de prisão preventiva em aberto contra ‘Dino’, expedidos pela Vara de Delitos de Organizações Criminosas, da Justiça Estadual. Um deles é de 21 de julho de 2020, em um processo que o foragido responde com mais 33 acusados de integrar a facção criminosa paulista, que tem ramificações em todo o Brasil e em outros países da América do Sul.

De acordo com a decisão judicial que decretou a prisão do grupo criminoso e o transformou em réu, a Operação Saratoga, do Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco) do Ministério Público do Ceará (MPCE), reuniu interceptações telefônicas autorizadas pela Justiça, nas quais Paulo Diego assume que integra a facção desde maio de 2013 e ocupa o cargo de ‘Geral das Gravatas do Estado do Ceará’, ou seja, lida com os advogados da organização criminosa. A denúncia acrescenta que a Operação impediu grandes motins no sistema penitenciário cearense.

A defesa de Paulo Diego não atendeu aos telefonemas nem respondeu às mensagens da reportagem. No processo, o advogado afirma que a acusação do Ministério Público sobre o cliente é frágil, por se basear apenas em uma conversa interceptada. “Não há registro da efetiva participação do réu ou mesmo a sua relação de hierarquia ou subordinação com os demais membros da fantasiosa organização criminosa”, alega.

219 acusados

Poucos dias depois da primeira decretação de prisão, ‘Dino’ virou alvo do segundo mandado de prisão preventiva da Vara de Delitos de Organizações Criminosas, em 4 de agosto do ano passado, junto de mais 218 acusados de integrar a facção paulista.

Conforme a denúncia do Gaeco, o grupo tem ligação com os ataques criminosos a bens públicos e privados registrados nos anos de 2018 e 2019, no Ceará, e com o tráfico drogas ocorrido no Estado. No celular apreendido junto de um acusado, a Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco), da Polícia Civil do Ceará (PCCE), encontrou uma lista com aproximadamente 400 membros da organização criminosa, dos quais 46 eram lideranças.

Antes disso, o nome de Paulo Diego já era ligado a ataques criminosos no Ceará. Conforme fontes da Inteligência da SSPDS, ele é o principal suspeito de colocar um carro-bomba próximo à Assembleia Legislativa do Ceará, em 5 de abril de 2016, por retaliação ao plano do Estado na época de instalar bloqueadores de sinais de telefonia móvel em volta dos presídios.

Soltura após condenação

Paulo Diego da Silva Araújo foi beneficiado por uma liminar em um pedido de habeas corpus no Supremo Tribunal Federal, deferida pelo ministro Marco Aurélio, que soltou 11 acusados de envolvimento com um esquema de tráfico internacional de drogas, que foi alvo da Operação Cardume, da Polícia Federal (PF). O grupo foi solto em abril de 2018.

Legenda:
A Operação Cardume foi deflagrada pela PF em setembro de 2015. O processo originado pela investigação reuniu 28 réus

Foto:
Natinho Rodrigues

Um ano depois, a Primeira Turma do STF derrubou a liminar, ao julgar o habeas corpus. “Por se tratar de criminalidade organizada, não entendo que, de 29/11/2015, quando houve a prisão, a 27/09/2017, prolação da sentença, ou seja, menos de dois anos, um caso extremamente complexo – vários réus e crimes, bem como a necessidade de apurar as técnicas de lavagem de dinheiro – possa gerar excesso de prazo. Ainda, sobreveio a condenação por 197 anos, 10 meses e 18 dias”, considerou o ministro Alexandre de Moraes sobre os 11 réus, sendo acompanhado pelos também ministros Luís Roberto Barroso e Luiz Fux. 

A Operação Cardume foi deflagrada pela PF em setembro de 2015. O processo originado pela investigação reuniu 28 réus, dos quais 25 foram condenados a mais de 1.300 anos de prisão – se somadas as penas – por crimes como organização criminosa, tráfico de drogas e lavagem de dinheiro, na 11ª Vara da Justiça Federal no Ceará. Dois acusados tiveram as penas extintas porque foram mortos e um foi absolvido em primeira instância.

Essa foi a maior quadrilha de tráfico internacional de drogas presa no Ceará. A quadrilha trazia a droga dos países Bolívia e Paraguai, passava pelo Ceará e exportava o ilícito em garrafas de cachaça, para a Itália e Portugal, na Europa.

3t de cocaína

O grupo reunia membros da facção criminosa paulista e empresários, com movimentação mensal de 3.000 kg de cocaína e R$ 6 milhões.

A PF identificou, dentro da organização criminosa, núcleos voltados especificamente para o tráfico internacional de drogas, contrabando de armas, desvio de insumos químicos e lavagem de dinheiro. Os investigadores estimam que, pelo menos, R$ 20 milhões tenham sido “lavados” por 32 empresas registradas no Ceará.

Compra de habeas corpus

‘Dino’, na função de ‘Geral das Gravatas do Estado do Ceará’ dentro da facção criminosa, ainda é acusado de negociar, junto de advogados, a compra de habeas corpus em plantões do Tribunal de Justiça do Ceará. A descoberta foi feita no bojo da Operação Cardume e gerou a Operação Expresso 150, também da Polícia Federal. Magistrados foram alvos de investigação e punidos.

Em uma sentença do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Paulo Diego da Silva Araújo foi condenado a 4 anos de prisão, por tentar pagar propina para o Judiciário para ser solto. Na ocasião, o desembargador Carlos Rodrigues Feitosa foi condenado a 13 anos e 8 meses e o filho dele, o advogado Fernando Carlos Oliveira Feitosa, a 19 anos e 4 meses. Outros seis advogados também foram condenados.



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Por , em 2021-04-08 09:15:25


Fonte diariodonordeste.verdesmares.com.br

Redação

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