Nove motoristas de app são assaltados por dia na Grande Fortaleza, diz associação | Ceará – Jornal Notícias do Ceará

A Associação dos Motoristas de Aplicativo do Ceará (Amap-CE) estima que nove motoristas de app são assaltos por dia na Grande Fortaleza. Ainda segundo a associação, além desses, há casos em que os profissionais não prestam queixa por se tratar do roubo da renda do dia ou aparelho celular. Grande parte dos casos em que há registro de BO acontece quando o veículo é roubado também. (veja casos recentes abaixo)

De acordo com a associação, 33 motoristas foram assassinados desde 2017. São estatísticas levantadas apenas em crimes praticados na Região Metropolitana. O maior registro aconteceu ano passado onde 16 profissionais foram assassinados. Os motivos são diversos dentre eles latrocínios, tentativa de assalto por pessoa externa ao veículo, passageiro sendo alvo e motorista morrendo junto.

Segundo o diretor da Amap-CE, Rafael Keylon, após os altos índices, nos dois anos seguintes, 2018 e 2019, houve uma diminuição de casos. Graças a comunicação entre os profissionais onde passaram a se monitorar e a criação da Operação Corrida Segura.

Rafael Keylon lembra que com a Operação Corrida Segura trouxe mais segurança aos profissionais. No entanto, a categoria pede mais rigor nas investigações para que as mortes não fiquem impunes.

“Hoje nós temos Corrida Segura que o secretário [Secretária de Segurança Pública] Sandro Caron em diálogo com as associações está colocando para frente e temos sentindo resultados disso. O que a gente pede hoje é a questão das investigações. Para não promover a impunidade”, reforçou.

Mortes de motoristas de aplicativo na Grande Fortaleza

Mortes
2017 12
2018 2
2019 3
2020 16
2021 nenhum registrado
Total 33

O tenente-coronel Alkimar Sampaio, da Polícia Militar, disse que o Corrida Segura trouxe resultados. Somente nos últimos dois meses e até a metade do mês de abril, 10 pessoas foram presas por participar de crimes contra motoristas de aplicativos. Além disso, 25 veículos foram recuperados.

“Ela [operação] traz muitos resultados. Só para termos uma ideia só nos últimos dois meses e até a metade deste mês de abril, até o dia 11, nós tivemos dez pessoas presas envolvidas em práticas delituosas contra motoristas de aplicativo. Fora isso, tivemos 25 veículos recuperados após ações criminosas contra esses motoristas de aplicativo”, disse.

Nas últimas semanas, três casos de assaltos a motoristas foram registrados. O mais recente, no último sábado (10), no Bairro Barra do Ceará. Um trio manteve motorista de aplicativo refém para usar carro em assalto a moradores em calçadas. O motorista não ficou ferido. Somente um suspeito foi preso.

Outro crime aconteceu no dia 30 de março. Um motorista de aplicativo foi mantido refém por um grupo de quatro homens armados durante um assalto no Bairro Parquelândia, em Fortaleza. Ele foi liberado minutos depois pelos assaltantes. O veículo, que tinha rastreador, foi encontrado após ser abandonado em uma avenida. Os suspeitos fugiram.

E ainda no mês de março, dois homens foram presos e um adolescente apreendido durante perseguição policial após os suspeitos roubarem um carro de aplicativo e manter a vítima refém. O crime aconteceu após o motorista aceitar a corrida solicitada pelos suspeitos no Bairro Pedras. O destino era a comunidade Santa Filomena, no Bairro Jangurussu.

Esse ano nenhum motorista foi assassinado, porém dois foram baleados, um no rosto enquanto aguardava uma corrida no Passaré e o outro no pulmão após reagir a um assalto na Sapiranga no final de janeiro.

Um dos casos mais marcantes envolvendo motoristas de aplicativo ocorreu em agosto de 2020. Alexandre Fernandes, 32, foi feito refém e em seguida morto por assaltantes. O corpo foi encontrado no km 30, da BR-116, entre Itaitinga e Aquiraz, na Região Metropolitana de Fortaleza.

Segundo a polícia, Alexandre Fernandes foi morto logo após o embarque de criminosos, que solicitaram uma corrida, ao se recusar a passar para o banco traseiro do veículo que conduzia, no Bairro Maraponga, em Fortaleza. O corpo de Alexandre foi acahado com machucados pelo corpo e com as mãos amarradas. Seis pessoas foram presas.

Alexandre Fernandes e o carro que dirigia desapareceram na noite do dia 10 de agosto, na Grande Fortaleza. — Foto: Arquivo pessoal

Motorista com corpo queimado

Em dezembro de 2020, o motorista de aplicativo José Hilker Assunção de Sousa, de 28 anos, que teve 95% do corpo queimado por criminosos durante um assalto em Caucaia, na Grande Fortaleza, morreu após passar alguns dias internado no Instituto Doutor José Frota (IJF), no Centro de Fortaleza. O motorista ficou internado por 14 dias.

No dia 21 de novembro, José Hilker sofreu uma tentativa de homicídio durante um assalto na Rua Campo do Madureira, no Bairro Guajiru. Os suspeitos lesionaram a vítima com um objeto perfurocortante, atearam fogo nele e subtraíram o veículo.

José Hilker Assunção de Sousa está internado em estado grave no Instituto Doutor José Frota. — Foto: Arquivo Pessoal

Por , em 2021-04-14 16:05:52


Fonte g1.globo.com

Redação

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