Padres ofendidos por apoiadores do presidente se reúnem com Defensoria Pública do Ceará | Ceará – Jornal Notícias do Ceará

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Os religiosos foram recebidos pela defensora geral Elizabeth Chagas, pela subdefensora geral Sâmia Farias e pela supervisora do Núcleo de Direitos Humanos e Ações Coletivas (NDHAC), defensora Mariana Lobo e pela subdefensora geral do Ceará, Samia Farias. Também estiveram presentes membros da igreja e movimentos sociais que atuam junto à Igreja.

Padre Lino e Padre Oliveira se reúnem com representantes da Defensoria Pública do Ceará. — Foto: Defensoria Pública do Ceará/Reprodução

Os ataques iniciaram no dia 4 de julho, durante celebração de missa na Paróquia da Paz, em Fortaleza, e têm se intensificado com o uso das redes sociais, com ameaças que chegam, inclusive, de outros estados.

As falas tacham os padres de “comunistas safados” e, dentre outros adjetivos, acusam-nos de transformarem o altar da igreja em “palanque político”, além de fazer ameaças abertas à integridade física dos sacerdotes, com frases do tipo “pede ajuda ao Camilo [em referência ao governador petista Camilo Santana]” e “agora tu vai ver”.

As informações apresentadas na reunião vão pavimentar a atuação da DPCE, que acompanha o caso desde a semana passada, quando de uma primeira reunião aconteceu no dia 15 de julho.

“Eu, pessoalmente, falei com o secretário de segurança pública e comandante da polícia que foram sensíveis ao pleito e tem colaborado para que a situação cesse”, declarou a defensora geral Elizabeth Chagas.

Ela explica que a Defensoria está habilitada nos autos no inquérito, que tramita no 2o DP, e que também acompanha o ingresso dos padres no Programa de Proteção aos Defensores dos Direitos Humanos (PPDDH), mantido pela Secretaria de Proteção Social (SPS), do Governo do Ceará.

“Confesso que nem imaginávamos que este nível de intolerância fosse chegar dentro da igreja, quando se tenta colocar uma mordaça nas palavras e mensagens dos líderes religiosos. Se o padre não pode espalhar a palavra de Cristo, ele vai fazer o quê? Estamos vivendo uma época de involução. Você não pode entrar numa igreja e xingar as pessoas, estimular a violência, organizar atos de intolerância. Isso reverbera de forma perigosa e precisa ser combatido”, complementou a defensora geral.

Um inquérito policial já está em andamento para investigar o possível cometimento de crime de injúria racial contra uma ministra de eucaristia da paróquia e também de ameaças aos sacerdotes e está sendo acompanhada pela Defensoria.

“A Defensoria acompanhou os depoimentos, está se habilitando no inquérito e devemos expor detalhadamente o passo a passo desse processo aos padres e demais vítimas, com a inclusão de novas provas. Mas é evidente que hoje nós vivemos uma censura sem tamanho e é importante acionar toda a rede de proteção de direitos humanos”, comentou Mariana Lobo.

Apoio de outras associações

As entidades ‘Juízes para a Democracia’ e ‘Transforma MP’ (composta por membros do Ministério Público) manifestaram, por nota, solidariedade aos padres e a todos atingidos e/ou agredidos “recentemente em suas liberdades individuais e no que há de mais sagrado em seus ofícios, que é a liberdade de evangelizar em sintonia com as circunstâncias concretas da vida, forma de pregação que assume maior sentido e relevância em regiões marcadas pela pobreza, pela fome e pela falta de oportunidades”.

As associações também declaram repúdio à “prática dos atos de constrangimento, ameaças e violência, real ou simbólica dirigidas especialmente aos Padres Lino Allegri e Oliveira Rodrigues, ou a qualquer outro celebrante em sua missão pastoral, por parte daqueles que agem movidos por ódio e intolerância, em ação de caráter político-ideológico que objetiva silenciar sacerdotes para proteger personagem político que reverenciam”.

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Por , em 2021-07-21 21:44:00


Fonte g1.globo.com

Redação

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