Municípios do Ceará perderam 14 mil doses da Pfizer por falhas no armazenamento; MP cobra medidas – Metro – Jornal Notícias do Ceará

O Ministério Público do Estado (MPCE) investiga possível desperdício de 14, 6 mil doses da Pfizer/BioNTech em 16 municípios cearenses (ver lista abaixo) por falhas no armazenamento da vacina. Para o levantamento, o órgão considerou os dados da Secretaria de Saúde do Ceará (Sesa) até 8 de novembro último. 

O imunizante desta marca deve ser armazenado em freezers ultrafios. A logística para mantê-los em temperaturas baixas, todavia, pode ter sido um desafio para algumas cidades do Estado, conforme documento cujo Diário do Nordeste teve acesso. 

Ofício mostra que, em resposta ao MPCE, a Sesa informou que as perdas ocorreram devido à permanência das vacinas em temperaturas positivas por um período superior ao recomendado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e pela farmacêutica produtora da Pfizer. 

O prazo é de até 31 dias da data em que o imunobiológico passa da temperatura negativa para a positiva, segundo o documento. Assim, os imunizantes podem ser mantidos entre 2 °C e 8 °C só durante esse prazo. 

No documento, o Estado garantiu que orienta os municípios a realizarem “rigoroso monitoramento do estoque para que sejam priorizadas aquelas recebidas primeiramente”. 

Quando as vacinas são entregues, as obrigações de conservação passam a ser das secretarias municipais. 

Os promotores de Saúde de cada cidade ficarão responsáveis pela investigação. Caberá a cada um deles definir o prazo para que as informações sejam enviadas ao órgão, além das medidas recomendadas (ver abaixo).   

Municípios que perderam vacinas: 

  1. Crato – 5.322 doses
  2. Pacajus – 2.340 doses
  3. Aquiraz – 2.280 doses
  4. Barreira – 1.248 doses 
  5. Pindoretama – 1.104 doses 
  6. Icó –  618 doses
  7. Orós – 420 doses
  8. Hidrolândia – 354 doses
  9. Jijoca de Jericoacoara –  252 doses
  10. Porteiras – 192 doses
  11. Ipaumirim – 150 doses
  12. Potengi – 102 doses
  13. Monsenhor Tabosa –  84 doses
  14. Varjota – 77 doses
  15. Farias Brito – 54 doses
  16. Potiretama – 30 doses

Total: 14.627 doses desperdiçadas 

 

O Diário do Nordeste tentou contato com todas as 16 cidades citadas, por e-mail e/ou telefone, e aguarda retorno. 

Exigências 

O MPCE recomendou que os municípios citados tomem providês para evitar o desperdícios de vacinas. São elas:

  • Em caso de risco de perecimento das vacinas, a situação deve ser apresentada ao Ministério Público com pelo menos 10 dias de antecedência;
  •  A Secretaria de Saúde do Município também deve comunicar à Sesa e ao MP sempre que houver perda do imunizante, com número de vacinas desperdiçadas e justificativas que levaram ao fato;
  • Cada município acionado pelo MP terá prazo de 24 horas para informar o estoque, o número de pessoas a serem vacinadas e a lista completa de pessoas cujas doses devem expirar nos dias seguintes;
  • A Secretaria de Saúde do Município deve apresentar, também no prazo de 24 horas, se houve perecimento de vacinas ou se há vacinas com risco de perecimento nos cinco dias seguintes. 

Baixa cobertura vacinal

O Ministério Público do Ceará também cobra a regularização das cidades com baixa cobertura vacinal para a segunda dose (D2) de vacina contra a Covid-19.

Segundo a Sesa informou ao MPCE, os municípios com menores índices de aplicação da D2 são:

  • Capistrano (39,32%);
  • Aracoiaba (44,28%);
  • Tianguá (45,61%);
  • Itaitinga (48,82%);
  • Irauçuba (51,81%);
  • Jucás (52,56%);
  • Beberibe (53,26%);
  • Itarema (53,71%);
  • Madalena (55,29%);
  • Ubajara (56,58%);
  •  Uruoca (57,71%);
  • Massapê (58,52%);
  • Jijoca de Jericoacoara (59,27%);
  • Aquiraz (59,46%).   

     

Entre as providências a serem adotadas pelos gestores municipais para evitar mais ampliar a cobertura vacinal estão:

  • Desburocratizar, ampliar o processo de vacinação para todos os dias da semana, com cadastramento e vacinação no mesmo local e atendimento a pessoas em vulnerabilidade social;
  • Controle rigoroso da aplicação das segundas doses e do estoque de vacinas por parte do Município;
  • Adoção de medidas administrativas e judiciais para garantir a dose complementar;
  • Busca ativa dos usuários que perderam o prazo;
  • Publicação diária dos vacinados com a primeira, segunda dose e dose de reforço.  

 

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Por , em 2021-11-11 11:34:10


Fonte diariodonordeste.verdesmares.com.br

Redação

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